Entrevista com Ricardo Manara

Entrevista com Ricardo Manara

O Grupo Cavagna, fornecedor de válvulas e acessórios para controle de gás em mais de 150 países e também presente no Brasil, atua nos mais diversos modelos de distribuição do gás no mundo, e, por experiência, seu diretor Ricardo Manara garante que o mercado brasileiro ainda não está preparado para a distribuição de gás fracionado ao consumidor. De acordo com o executivo, tal procedimento necessita de regulamentação específica, alterando responsabilidade sobre a segurança e manutenção dos recipientes bem como a garantia de que o consumidor está realmente comprando o produto que espera no momento do abastecimento.

 

A ANP, dentro do projeto Novo Mercado do Gás, estuda a venda fracionada de GLP. Qual a sua posição sobre a medida?
Nosso posicionamento é que a estrutura logística atualmente utilizada no Brasil não permite que possamos trabalhar com segurança no fornecimento do GLP fracionado para o consumidor. Tal procedimento necessita de regulamentação específica, alterando responsabilidade sobre a segurança e manutenção dos recipientes, bem como a garantia de que o consumidor está realmente comprando o produto desejado e na quantidade esperada no momento do abastecimento.

Quais os riscos que a medida pode causar para os consumidores?
O principal risco é sobre a procedência do produto, manutenções necessárias sobre os recipientes e respeitar a capacidade de enchimento do botijão. O mercado brasileiro historicamente está com seus recipientes produzidos para enchimentos controlados em bases engarrafadoras das companhias. Um excelente exemplo é que as válvulas utilizadas nos recipientes atuais não são próprias para o enchimento feito fora dessas unidades, pois requerem um rigoroso controle no momento do abastecimento, passando por inspeção a cada troca do vasilhame. Outro ponto que não pode ser esquecido é sobre quem fará a manutenção dos vasilhames, o que também inclui as válvulas e dispositivos de segurança, trazendo sérios riscos à população, caso os mesmos não sigam as normativas de inspeção e requalificação.

Na sua opinião, a venda fracionada de GLP atenderia a uma demanda social, conforme a proposta apresentada, caso fosse implantada?
Pensando na grande necessidade de investimento no processo logístico e em equipamentos que garantam a segurança da operação, dificilmente teremos um produto mais barato para o consumidor no curto prazo, isso porque estamos falando apenas nas necessidades de investimentos em equipamentos e botijões adequados para o enchimento fracionado, sem dizer na perda de volume que impacta diretamente os custos, que automaticamente refletem no preço ao consumidor final.

Hoje são 35 milhões de botijões de até 13 quilos vendidos por mês e 9 milhões trocados mensalmente. O que a proposta causaria a este mercado?
Um dos principais problemas nesta logística é a necessidade de adequação dos botijões, pois as atuais válvulas utilizadas não permitem enchimento fracionado, inclusive deixam possibilidades de sobre-enchimento; para estes casos, teríamos uma bomba dentro da casa do consumidor. O tempo de mudança em todo o sistema não é rápido e muito menos barato, tendo em vista que nosso país possui um lastro de 120 milhões de botijões de 13kg. Teríamos um colapso na distribuição.

Quais os problemas logísticos que a medida acarretaria?
Pensando em um mercado de venda anual de 7,3 milhões de toneladas de GLP, o que coloca o Brasil na posição de 10º maior mercado do mundo, e em termos de botijões de 13 quilos, os mais conhecidos, temos 35 milhões de botijões que são vendidos mensalmente, ou seja, 14 botijões entregues por segundo porta a porta, pensando também que abriremos a possibilidade do enchimento em qualquer postinho, e isso tira toda a capacidade de escala atualmente disponível, não seríamos capazes de atender a demanda.

A Cavagna está em 150 países. A empresa tem conhecimento de algo parecido em outro país que tenha obtido sucesso?
O Grupo, estando presente em tantos países, fornece para as mais diferentes modalidades de distribuição. Porém, quase todos os países restringem esse tipo de enchimento.
No Paraguai, havia uma modalidade de distribuição por caminhões que servem como estações de enchimento. A prática foi suspensa no fim de 2018, por decisão do governo do país, que considerou a solução muito arriscada. Países africanos como Gana e Nigéria também permitem o modelo de enchimento parcial na comercialização do GLP em botijões de pequeno porte.
Devemos ter muito cuidado quando vinculamos esse tipo de abordagem feita pela ANP, que utiliza os EUA como referência para o enchimento fracionado, pois realmente eles não são contrários; porém não permitem a utilização dos botijões dentro das residências. Nos Estados Unidos não é comum o uso de cilindros de GLP em casa, por questões de segurança.
Precisamos sempre ter muito cuidado com o risco gerado por possíveis enchimentos excessivos. Nossos botijões não estão preparados para garantir essa atividade.

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O site Energia Excepcional é o ambiente criado para aumentar a conscientização sobre as características excepcionais do GLP através dos materiais produzidos pelas Câmaras Temáticas do GLP.

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